
I - MENTIRA MENTIROSA
A mentira mentirosa é totalmente projetada na figura de Satanás.
Mas como, se o capeta desconhece o engano por inteiro?
Para que o bichão conhecesse o engano por inteiro, seria preciso que, antes, ele abrigasse o auto-engano.
E o auto-engano com o passar do tempo se transformasse em engano, engano assumido conscientemente, tendo como finalidade uma existência de maledicência.
O engano e todas as suas implicações, para conhecê-lo, só se for Deus.
Nenhum ser criado ainda chegou ao Abismo, e mesmo que algum por lá desse as caras, iria apenas constatar que até no inferno há limite para os seres criados.
O limite do Abismo é do tamanho do abismo gigantesco do mistério de Deus.
Esse mistério ninguém jamais o decifrou.
Satã, espertalhão como ele só, de fininho foi assumindo de vez o engano.
Acabou enganado mas não perdeu a pose, tornou-se mais presunçoso ainda, a ponto de abrigar o conceito da maldade por inteiro, como se fosse uma espécie de todo-poderoso às avessas.
Acabou até ganhando a alcunha de “pai da mentira” só por se tornar o ícone da maldade manifesta.
MENTIRA VERDADEIRA
É a mentira maquiada com as realidades da vida aplicadas fora de contexto.
A mentira verdadeira transparece com nitidez no modo como cada um se defende, ou como se esconde à sombra das correções, valendo-se de falas e argumentos dissimulados só para encobrir a verdade.
A prática continuada da mentira verdadeira adoece até a alma, pois quanto mais moralmente cristão alguém se proclama, mais pagão se torna o inconsciente, gerando assim, dissidência interior quase que irreconciliável.
VERDADE MENTIROSA
A verdade mentirosa é a manipulação da verdade.
Qualquer uso que dela se faça, a verdade acaba corrompida, pois vem com finalidades e utilidades a ela atribuídas de acordo com os sucias.
Torna-se verdade prontinha para o consumo.
É um produto da arte de falar de Deus e da vida em geral, apenas que no palco das falsas impressões.
VERDADE VERDADEIRA
Ela só é possível se procede de Deus, porque só Ele conhece a Verdade.
“Eu sou a Caminho; e a Verdade; e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”.
O joio e o trigo crescem juntos na terra, não se pode distinguir com certeza, um do outro.
Uma simples tentativa de procura do joio no meio do trigo pode provocar um dano maior do que a simples existência do joio em si mesmo.
O único poder capaz de diferenciá-los é o amor.
Sabendo disso, o joio põe as manguinhas de fora e se manifesta dissimulado e tenta sufocar o trigo de vez.
O contrário nunca se dá porque o trigo, em sua natureza, é alimento e como tal tem por natureza propiciar a vida.
O joio se esconde e tenta se aproveitar do trigo.
Não perde uma chance de se passar por ele, mas se possível, sua gana é a de eliminá-lo de vez.
A questão que fica é: o joio sabe que é joio? o trigo sabe que é trigo?
Qual deles tem a Verdade Verdadeira em si mesmo a ponto de enfrentar todos os enganos e apreciar-se tal como é?
O trigo, quando sabe que é trigo, não fica alardeando isso por aí afora, tampouco se perde em acusações à existência perniciosa do joio, habitualmente personificada em outro ser humano.
O joio, por maiores que sejam as tentativas, não pode mudar o curso da natureza do trigo, o trigo enfim, só sabe ser trigo e seu poder é o fruto que produz que se torna vida em si mesmo e em seus semelhantes.






